sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Ontem, quando Ester acordou, estava cheia de esperanças,
afinal, era o dia em que completaria 18 anos
e um tempo novo estaria disponível. Ao levantar-se da cama,
o mundo cão a assombrou. Sentiu uma forte ardência em suas costas
e atordoada virou-se para se coçar quando viu a mancha de sangue sobre
o lençol.Ela deu um grito e desmaiou e a última imagem que pode se lembrar
foi a de sua mãe entrando correndo pelo quarto.
Ester foi atingida por uma bala perdida e ficaria de cadeiras de rodas.
A jovem teria todo o tempo do mundo para decidir:
Teria sido melhor morrer?

Trecho do livro "Felicidade"

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Palavras em homenagem a você.


A receita certa é você querer!
Não importa as dificuldades
que verdadeiramente irão surgir. Não Importa.
A direção certa é a que você escolher.
A cor, a forma, o som, o tempo,
enfim, tudo depende de você.
Quantas vezes já escolheram por você.
Quantas vezes a decisão não foi sua.
E qual o sabor da vitória ou da derrota nessas ocasiões?
Você vê?
O resultado sempre será fruto das decisões.
Então, o conselho é:
Se for possível, veja, se for possível (porque as vezes não é)
Pense, reflita um pouco, o mínimo ou o máximo que você quiser ou puder.
Mas se não for possível, tome a decisão,
as consequências virão independente de qualquer coisa
e serão resultados das suas escolhas.
Mas exite sim uma maneira melhor de se entender
com  o resultado de seus atos.
Você precisa aceitá-los!


Stanley Gusman
do livro ("Ventos Estranhos")

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012




SERENA

Vejo   que as coisas se acomodam,
e o tempo corrige as arestas.
Vejo que os ventos incomodam
quando a vida expõe suas frestas.

Vejo que a noite apavora
quando ouvimos a Rosa dos Ventos.

É que não te desejo de agora,
eu te espero há tempos.


Stanley Gusman
(do livro "depois desse outono")

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012


MIRAGEM



Uma   mão sedosa me acariciou.

E  me   levou para longe daqui.

Essa mulher que tanto me amou.

Passou e eu não vi.



Procurei em vão sua trajetória.

Tentando, assim, te encontrar.

Mas guardei aquela caricia na memória.

Pra nela poder descansar.



Surgiste pra mim de todos os lados.

Inundou de vez o meu pensamento.

Levaste o perdão para os meus pecados.

Levaste a cura dos meus sofrimentos.




Stanley Gusman
(do livro "Depois desse outono")

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012


SOBRE   VOCÊ.



Você  é o perdão que entristece o algoz.

O obstáculo que impede o atleta.

Você é a imagem que emudece a voz.

O som que paralisa o poeta.



Tens a pele em ouro tecida.

Teus olhos clareiam o inverno.

Você traz a paz e a vida.

Você comanda o que é eterno.


Stanley Gusman
(do livro "Depois desse outono")

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012


CONFISSÕES.





Fica pequeno o meu peito.

E o coração ainda mais se aperta.

Tudo então fica sem jeito.

Nossa estrada está deserta.



Dias quentes, noites frias.

E no mesmo caminho me encontro.

Se for tudo que querias:

-Estou perdido e pronto.



Perdido sem sol e sem lua.

Pensando em criar direção.

A alma também já flutua.

Desapareço na escuridão.



Se acerto o passo e me oriento.

Volta o rubor no meu rosto.

Me ponho a pensar e sustento:

- Ainda sinto o seu gosto!

Stanley Gusman
(do livro "Depois desse outono".

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012



 VENDAVAL.


Um vento louco varreu meu quintal.

Cavalos e flores, tudo arrastou.

De repente virou vendaval.

E de minhas raízes ele me arrancou.



Pedaços e inteiros foram pelo ar.

Difícil dizer o que ele levou.

Lembrei do homem que se dispõe a amar.

Somente depois que o amor acabou.



O vento soprou por todas as direções.

Canto nenhum ficou sem varrer.

Misturou os sonhos em mágicas poções.

Fazendo o indestrutível derreter.



Esse vento varreu meu quintal.

Nunca vi coisa assim!

Soprou com uma forca descomunal.

E arrancou até mesmo eu de mim.



Sinceramente, nunca mais me achei........


Stanley Ramos Gusman
(do livro "depois desse outono")

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012


DEPOIS DESSE  OUTONO.



As folhas se   mantinham seguras.

Lutavam para não despencar.

Mas o outono chegou às escuras.

Não esperou o dia raiar.



Trouxe consigo a incerteza.

E o sono daquelas tardes frias.

Mas havia uma certa beleza.

Nessas tardes vazias.



Na mata escura e sombria.

Com seus insondáveis encantos.

Plantei flores de alegria.

Tentando acalmar meus espantos.



E quis escrever poesias.

Mas no fundo não sabia como.

Deixei então páginas vazias.

Pra escrever depois desse outono.


Stanley Gusman
Do livro (Depois desse Outono)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012


NOSTALGIA


Eram pequenos fragmentos de certeza, nada mais do que isso.

Era o oposto, o ontem.

Uma nuvem num céu infinitamente azul, com uma enorme mancha de vinho.

Uma serenata, um vento no rosto, um zumbido de Zadig.

Um pedaço, uma gota, uma parte.

Olhos, retinas e um corpo.

Folha indo, nada vindo, piedade.

Um batismo, o início, o relâmpago.

Um sinal, um manifesto, um triunfo!

A força, o ódio, a dor.

Sem vontade, sem movimento, sem sentido.

Falsidade, carinho e a lógica.

Um mundo inteiro, o acontecido e o resultado.

O começo de um tempo e de um vento.

Só você, contra o resto, contra tudo.

Que são todos, maresia, alto mar.

Se queres, todos querem e tudo bem!

Nostalgia, a meia – noite em BH!





Stanley Ramos Gusman
Do livro (Um trem sem sono)


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Suor da alma

O suor da Alma.


Hoje eu pensei em coisas estranhas.

Canivetes, holofotes, palavras polissilábicas.

Fontes inesgotáveis de surpresas engraçadas.

Pensei em voltar atrás, fazer de novo, como encantado!

Mas bastava uma nova alegria, ou qualquer outra palavra de quatro sílabas.

Reparei que as pessoas queriam respostas, mas não havia perguntas.

Era pouco o que havia para ser dito, frente a tamanha necessidade de se ouvir.

As frases iam ficando maiores, os assuntos se esgotavam.

Tentei dissimular, inventar, franzir a testa, mostrar um controle fugaz.

Fazer com que os gestos parecessem comuns mesmo diante de tantas novidades.

Elas estavam todas ali, mesmo que eu não pudesse sentir sequer o cheiro.

Forcei a imaginação para voltar atrás, dançar de novo aquele bolero.

Saudade de tudo!

Mas a raiz vem crescendo, esparramando, porque eu quero!

Lá a noite já cai úmida demais e o expresso não faz parada.

É um sentimento perpendicular aos meus anseios.

Eu queria ir além, ouvir as mesmas musicas em novos tons.

Mas não será preciso deixar as janelas abertas, não haverá outra chance.

Somente essa verdade, a de que só as montanhas e as certezas envelhecem.

Sorri para a moça parada, olhando em frente inflexivelmente.

É, enfim, minha cidade, terra onde cresci e fiz amigos inseparáveis que não sei onde estão.

Precisei rezar o terço. Não sabia fazê-lo.

Lancei mão do resto da crendice. Não me valeu.

Quisesse fazer a festa medíocre dos aprendizes.

Mas só me deram ferramentas cegas que mais machucam do que produzem.

Larguras extensas de vãos conhecidos.

Você nunca mais, elas nunca mais.

A esperança está fincada na tristeza, na partida eterna.

No movimento de voltar, na vontade de permanecer da forma absolutamente diversa da diversidade que projetei.

Confesso que me encantei com a esquina. Tive receio de tangenciá-la, de curvar demais.

Mas valeria o esforço do sono que não veio. Rolar na cama, ler livros antigos, rever as fronteiras da mentira santa. Aquelas que são necessárias.

Enfim, prelúdios do poder que parece não se estabelecer.

Maravilhas produzidas pela ausência do corpo quente, que usei (comi) como carne viva.

Desejei encerrar, parar de escrever, mas faltavam palavras, aí inventei a que entendi mais adequada: SILOTERAMINADOS, quero defini-la em versos futuros.

Farei novos inventos, cantarei cânticos novos. Serão redentores. Trarão felicidade. Trará redenção.

Espero que sim, enfim......

Irei conseguir transformar nossos diálogos.

Falaremos o dialeto do corpo. O que é universal, suor e prazer bastará!

É o mundo que se contorna e se faz perfeito quando seu gestor é você.

Não se vá, fique um pouco mais!



Stanley Gusman (do livro "Um trem sem sono")

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Maresia do asfalto.


Quando os vinte anos me incomodava,
eu pensava em ter quarenta.
Queria ser construtor de tudo,
mas se estivesse pronto, ainda melhor.
Ria das valsas e dos boleros,
dançados e cantados por minha mãe.
Imaginava que bom era ser radialista,
falar e ninguém ver.
Agora sei que o tempo,
não escolhe o endereço.
E que as coisas que se deseja
está guardada no pé da árvore
que plantamos,
ou no livro que escrevemos.
Mas se não houver árvores, nem livros,
a boa notícia é:
Ainda temos tudo por fazer,
e a idade é o que menos interessa!

Stanley Gusman
(do livro "Invasão")