O suor da Alma.
Hoje eu pensei em coisas estranhas.
Canivetes, holofotes, palavras polissilábicas.
Fontes inesgotáveis de surpresas engraçadas.
Pensei em voltar atrás, fazer de novo, como encantado!
Mas bastava uma nova alegria, ou qualquer outra palavra de quatro sílabas.
Reparei que as pessoas queriam respostas, mas não havia perguntas.
Era pouco o que havia para ser dito, frente a tamanha necessidade de se ouvir.
As frases iam ficando maiores, os assuntos se esgotavam.
Tentei dissimular, inventar, franzir a testa, mostrar um controle fugaz.
Fazer com que os gestos parecessem comuns mesmo diante de tantas novidades.
Elas estavam todas ali, mesmo que eu não pudesse sentir sequer o cheiro.
Forcei a imaginação para voltar atrás, dançar de novo aquele bolero.
Saudade de tudo!
Mas a raiz vem crescendo, esparramando, porque eu quero!
Lá a noite já cai úmida demais e o expresso não faz parada.
É um sentimento perpendicular aos meus anseios.
Eu queria ir além, ouvir as mesmas musicas em novos tons.
Mas não será preciso deixar as janelas abertas, não haverá outra chance.
Somente essa verdade, a de que só as montanhas e as certezas envelhecem.
Sorri para a moça parada, olhando em frente inflexivelmente.
É, enfim, minha cidade, terra onde cresci e fiz amigos inseparáveis que não sei onde estão.
Precisei rezar o terço. Não sabia fazê-lo.
Lancei mão do resto da crendice. Não me valeu.
Quisesse fazer a festa medíocre dos aprendizes.
Mas só me deram ferramentas cegas que mais machucam do que produzem.
Larguras extensas de vãos conhecidos.
Você nunca mais, elas nunca mais.
A esperança está fincada na tristeza, na partida eterna.
No movimento de voltar, na vontade de permanecer da forma absolutamente diversa da diversidade que projetei.
Confesso que me encantei com a esquina. Tive receio de tangenciá-la, de curvar demais.
Mas valeria o esforço do sono que não veio. Rolar na cama, ler livros antigos, rever as fronteiras da mentira santa. Aquelas que são necessárias.
Enfim, prelúdios do poder que parece não se estabelecer.
Maravilhas produzidas pela ausência do corpo quente, que usei (comi) como carne viva.
Desejei encerrar, parar de escrever, mas faltavam palavras, aí inventei a que entendi mais adequada: SILOTERAMINADOS, quero defini-la em versos futuros.
Farei novos inventos, cantarei cânticos novos. Serão redentores. Trarão felicidade. Trará redenção.
Espero que sim, enfim......
Irei conseguir transformar nossos diálogos.
Falaremos o dialeto do corpo. O que é universal, suor e prazer bastará!
É o mundo que se contorna e se faz perfeito quando seu gestor é você.
Não se vá, fique um pouco mais!
Stanley Gusman (do livro "Um trem sem sono")
Stanley Gusman (do livro "Um trem sem sono")
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